O groove sólido e a percepção rítmica em perfeita sintonia do baterista Vinícius Rodrigues


É impossível falar da banda Concrete Monkey, sem mencionar com louvor a pegada insana, groove sólido e perpeção rítimica em perfeita sintonia do baterista Vinícius Rodrigues. O Power-trio se destaca na cena alternativa brasileira por fazer um som diferenciado e sem medo de inovar, apresentando uma música rica em elementos e diferente de tudo que anda sendo lançado no mercado.

O impacto da bateria de Vinícius Rodrigues fica claro no último disco lançado, o "High in Blue", material  composto por 11 faixas, sendo 7 músicas e 4 transições/interlúdios, carregados de influências que vão do stoner rock, rock alternativo, transitando pelos movimentos dos anos 90, mas permeando no progressivo e lisérgico rock dos anos 70.

Sem sombra de dúvidas que Vinícius Rodrigues é um dos pilares do projeto, com seu talento nato para improvisação, ritmo preciso e com um groove digno de um baterista virtuoso, que se encontra a frente desse do rock padronizado que temos nos dias de hoje.

Conversamos com o músico sobre sua trajetória, equipamentos, influências musicais e outras curiosidade. Confira!

Você e o Concrete Monkey apresentam uma sintonia e criatividade fora do comum. Como que funciona a parceria de vocês como músico e amigos dentro do projeto? Como começou essa parceria?
V: O Concrete Monkey é uma banda formada por amigos de longa data. Conheci o Felipe (guitarra) em 99, na escola, e cada um já tinha a sua banda. Tocávamos em festas de amigos e festivais de escolas da região. Em 2006, entrei pro Siena, Felipe era um dos fundadores, e toquei com eles até 2007. Nesse mesmo ano conheci o Henrique (baixo/voz) na faculdade e começamos a tocar com um pessoal da nossa sala. Os anos passaram e mantivemos a música sempre presente na nossa amizade. No final de 2012, começamos a imaginar um formato de banda e também ir atrás dos integrantes. Em 2013, Felipe fez um teste e logo na primeira Jam já rolou química entre nós e desde então o Concrete Monkey está formado. Somos muitos amigos então quando não estamos tocando, sempre procuramos nos reunir, tomar uma cerveja e assistir alguns shows.

Dentro do cenário do rock alternativo e stoner brasileiro, você costuma acompanhar bandas com trabalho autoral? E sobre as estrangeiras, alguma atual que tenha lhe chamado a atenção?  
V: Sim, muitas bandas estão na mesma caminhada que a gente e nosso contato é próximo, dividimos palco, acompanhamos shows e seus lançamentos. Encontramos muitas bandas com material de qualidade hoje. Cito algumas delas: Universe Garden, Gabriel Vendramini, Riders Of The Death Valley, The Tropical Riders, Dum Brothers, Mars Addict, 3 Pipe Problem, entre outras (e são muitas mesmo, se eu mencionar todas aqui a lista vai ficar grande). No caso das bandas gringas existem muitas que me chamam atenção, as principais no momento são: Graveyard, Asteroid, Black Mountain, Greenleaf, King Gizzard and The Lizzard Wizzard, Mars Red Sky e All Them Witchese.

Que dica você daria a músicos brasileiros da cena, que tem medo de experimentar e inventar coisas novas em suas músicas?
V: Nossa que responsabilidade a minha em dar alguma dica para as bandas(risos). Penso que o momento de arriscar e fazer algo novo é agora, pois quem banca os custos disso tudo é a própria banda. No meu ponto de vista, não adianta querer reproduzir algo que já existe e ficar na mesmice. Mas, infelizmente, isso não acontece com muita frequência na maioria das bandas. O ideal é pensar que o não nós já temos, então porque não arriscar algo novo?

Qual modelo e marca de bateria, pratos e baqueta que você usa? Conta pra gente a relação de amor com seu instrumento.
V: A música sempre esteve presente na minha vida. Cresci ouvindo muito classic rock por influência dos meus pais. Meu pai é um colecionador de vinis e cd’s. Então a minha alegria era ficar trancado no quarto com o som no último volume ouvindo Deep Purple, Black Sabbath, Led Zeppelin, Pink Floyd, Genesis entre outras bandas dessa década. Com 10 anos comecei a estudar violão na escola e logo me interessei pela bateria. Aos 13, iniciei a aula de bateria numa escola do bairro em que eu morava e nunca mais parei de tocar. A minha bateria é uma Tama Superstar Hyperdrive. Os pratos são uma mescla de Zildjian e Meinl. Os zildjian são da linha avedis, o hihat é new beat de 14”, 1 fast crash 18”, 1 sweet ride de 21” e os Meinl são da linha Dark Classic Custom, 1 dark crash de 18” e 1 dark crash de 20”. Ultimamente uso as baquetas Vic Firth 5B.

Quais são as suas maiores influências musicais? Pra você qual é o maior baterista de todos os tempos?  
V: Para mim as influências são cíclicas. Quando iniciei os estudos, ouvia muito Deep Purple, Led Zeppelin, Black Sabbath, Rush, Dream Theater, Pantera e consequentemente me inspirei nos bateristas dessas bandas. Hoje, estou sempre ouvindo bandas novas, inclusive bandas do cenário independente e que acabam me influenciando também. Não consigo pensar em apenas um nome como maior baterista, para mim os principais são Mike Portnoy, John Bonham e Ian Paice.

Suas linhas de bateria são perfeitamente executadas, demonstrando um combinação de técnica, criatividade e de muita emoção ao tocar. Você sempre compõem e cria as músicas pensando de forma analítica ou elas acabam saindo naturalmente desse jeito?  
V: Agradeço pelo elogio. As minhas linhas de bateria são criadas naturalmente em cima de grooves que trabalhamos nos ensaios. E conforme a estrutura da música vai se definindo alguns arranjos vão sendo lapidados. Acho que quando se pensa muito em como vai soar o som acaba perdendo o feeling. Gostamos que soe o mais natural possível.

Como a música surgiu em sua vida?
V: Na verdade eu não sei exatamente quando, pois desde que me conheço por gente estava rodando um vinil na vitrola do meu pai. Mas comecei a perceber o quanto eu gostava mesmo de música por volta dos 12 anos ao ouvir os clássicos dos anos 70. Quando eu tinha 14 anos, o Deep Purple veio pro Brasil numa turnê com orquestra sinfônica, o show aconteceu no Via Funchal. O primeiro show na vida de uma criança é inesquecível.  E nesse período de shows em São Paulo o Ian Paice (baterista do Deep
Purple) fez um workshop no Blen Blen em Pinheiros. Depois disso tudo na minha vida mudou, foi aí que decidi realmente ser um baterista.

Qual foi o melhor show da história do concrete monkey? conta pra gente. 
V: Difícil mencionar um, mas geralmente quando os shows são fora de São Paulo a recepção é diferente. E tiveram dois shows que fizemos em Maringá/PR no final de 2018 que foi muito legal. A qualidade de som da casa era muito boa e o público nos recebeu muito bem. Além disso, tem o lance de viajar, conhecer novos lugares, pessoas. Tudo isso conta na hora de escolher um show especifico.

Qual é a sua faixa favorita do novo disco da banda?
Nossa, ai complicou (risos). Tenho um carinho muito grande por todas as faixas do disco. Foi um processo criativo bem intenso, dedicamos muitas horas de estúdio para chegar no resultado final. Tudo para ficar a nossa cara. Não consigo escolher somente uma então pensei em duas: Cursed Spit e a High in Blue, as considero como obras primas. A Cursed Spit é um som bem curto e direto que usa elementos sonoros peculiares ao nosso estilo. É um groove bem marcado de bateria com linha de baixo fora do padrão e guitarras freak e vocal falado. A High In Blue já tem outra proposta. É um som mais longo que nos faz viajar se ouvida de olhos fechados. Mistura blues bem sombrio com peso, pitadas psicodélicas nas linhas de guitarra e belas melodias de voz.

Quais os planos para 2020?
V: Esse ano está muito estranho. Não sabemos ainda quando tudo irá se normalizar para retornarmos aos palcos. Por enquanto estamos fazendo divulgação do novo álbum pela internet, produzindo nosso merch, finalizando a produção do disco físico e, claro, aproveitando pra compor algumas coisas. Assim, quando o ritmo voltar ao normal, nós já termos algo encaminhado. Dia 01/05 estreiou nosso novo clipe “Cursed Spit, dirigido por nosso amigo Ivan Cassone, que também dirigiu o último clipe “You Know Why, disponível no nosso canal do YouTube. E aproveitando a deixa, quero pedir para todos se inscreverem no nosso canal e seguir o Concrete Monkey nas plataformas
de streaming de sua preferencia.

Escute aqui o disco "High In Blue"

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Fonte: Collapse Agency
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