Entrevista com Orgullo Nativo (Bogotá, Colômbia) - CANGAÇO RÁDIO ROCK

Entrevista com Orgullo Nativo (Bogotá, Colômbia)


ORGULLO NATIVO - Entrevista

Saudações do Brasil. A Orgullo Nativo começou sua jornada no metal como um projeto “one man band” no ano de 2011, idealizado pelo vocalista e guitarrista (Decertor Infernal). Conte-nos um pouco sobre o início das atividades e trajetória da banda, como mudou de repente de uma “one man band” para uma banda completa?
Cesar Urrego  (Decertor Infernal) - Primeiramente gostaria de agradecer insanamente aos metalheads brasileiros, é uma verdadeira honra estar aqui como uma amostra do metal colombiano. Orgullo Nativo é uma banda que procura sempre espalhar um pensamento único. Que é principalmente a razão de encontrar membros compatíveis, não apenas com a música, mas também com o conceito geral, foi muito difícil. Com o passar do tempo ROOT juntou-se a mim e criamos “Filosofia de un Demente”(nosso primeiro álbum). Este álbum é parte de uma trilogia que atualmente está no segundo ato e este é o porquê de ter havido um grande impacto. Muitas pessoas falam sobre nós e queremos tocar para elas. Nós tivemos apenas que mudar nosso baixista e tentar recrutar um segundo guitarrista, a união não se realizou ainda. OLKOTH estava como nosso reforço no baixo para o segundo álbum, mas agora temos um line-up mais estável. Nossa meta é mostrar para nós mesmos que podemos fazer metal da maneira certa, que eu tenho um limpo e definido conceito argumentativo congruente com nossos tempos atuais. Nós não seremos partes de um tabu tradicional que não contribuirá em nada para nossas próprias vidas. Metal é uma maneira de superar a si mesmo e se superar de muitas formas, assim sendo, criamos do inferior para nossas almas.

A banda Orgullo Nativo, acaba de disponibilizar o relançamento do álbum “Entre el Campo del Batalla” via Morbid Skull Records, originalmente lançado ano passado. O material se caracteriza com uma explosão de violência variando entre o old school thrash e o speed metal. Conte-nos um pouco sobre o processo de gravação e divulgação na época do lançamento. E o que o relançamento traz dediferente da versão original?
Cesar Urrego  (Decertor Infernal) - Nosso segundo álbum “Entre el Campo del Batalla” foi bem recebido pelos metalheads de todo mundo. O único problema é que as pessoas que não falam nosso idioma não obtém a história do nosso trabalho a fundo. Este é o porquê de estarmos desenvolvendo um e-book com as traduções completas, então ambos, interseção e letras da história estão presentes. Desta maneira queremos dar algumas ferramentas para que todos entendam tudo o que fizemos. Apesar disto, alguns não entendem nosso idioma, a mídia tem começado a gostar de nossa música e por isso estamos muito felizes. Alcançar muitos metalheads é nosso principal propósito, mas queremos que todos entendam o que dizemos, queríamos recriar uma parte da história humana e criamos com propósito. Ser parte de uma irracional máquina de consumo como um projeto ordenado. Somos a escória, somos uma raça destrutiva que rasga tudo em seu caminho e então nos desculpamos por nossa própria complacência.


O álbum “Entre el Campo de Batalla”, teve seu relançamento concretizado agora no último dia 05 de maio. Como está repercutindo na mídia local e com os sedentos headbangers colombianos? Quais as expectativas?
Cesar Urrego  (Decertor Infernal) - O evento de lançamento de nosso segundo álbum teve uma ótima recepção, havia muita gente, mas infelizmente os policiais chegaram em busca de algum suborno, nos não concordamos com isso e em troca eles procuraram uma desculpa aleatória para fechar o lugar e assim terminando o show. De qualquer forma a resposta das pessoas foi maravilhosamente incrível, eles responderam ao chamado do maldito metal colombiano. Estamos contentes por este álbum nos ter levado a muitas cidades diferentes por toda Colômbia, portanto estamos sendo vistos e mencionados em todo mundo, prever-se que uma vez tendo concluído a trilogia teremos uma história incrível carregada de sensações para compartilhar com todos.


Orgullo Nativo é um dos principais nomes do Metal Colombiano, tendo se apresentado com nomes consagrados tanto do metal local, como Internacional. Tem algum show que traga uma recordação memorável para a banda?
Cesar Urrego  (Decertor Infernal) - Shows são complicados na Colômbia. Para ser honesto há superpopulação de bandas, assim como superpopulação de “promotores de shows” que não tratam as bandas com honra. As bandas recebem o pior tratamento por parte deles. As pessoas não acreditam, mas agora estamos passando por eventos com presença reduzida. Os únicos shows completos são os internacionais, aqueles que são realmente caros. Agora, há uma falta de locais para tocar e ainda menos público para pagar. Na verdade nossa pior experiência foi tocar com o Deicide. Ser o show de abertura de uma banda internacional na Colômbia é realmente uma droga: os organizadores te tratam como se você fosse um problema, eles querem convencê-lo a vender os ingressos, eles querem que as bandas sejam seus servos, eles não pagam porque pensam que é luxo tocar com a banda estrangeira. Além disso, eles organizam um som diferente no backline, então seu show não corre bem. Nesses casos, somos usados apenas como preenchimento para seus eventos, se você não "cumprir", receberá multas, etc. O Deicide foi arrogante, muito esnobe com todos os outros músicos. Isso realmente me irrita porque bandas internacionais sempre vão precisar de nós (as bandas nacionais), seus shows não se esgotam em seus países e é exatamente por isso que temos muitas bandas européias / gringas vindo para a América Latina.

Como já abordado durante o bate papo, o Orgullo Nativo é uma grande força do Metal colombiano. Com o lançamento dos materiais a banda já teve um feedback positivo da imprensa internacional ou até mesmo convites para shows e turnês em outros países?
Cesar Urrego  (Decertor Infernal) - Sim, nós fomos convidados para o Peru, Equador, Bolívia e Chile. No entanto é muito difícil deixarmos nossos trabalhos diários para cumprir essas datas, além disso é difícil encontrar apresentações pagas para dá suporte a todas as despesas de uma excursão, é por isso que decidimos continuar a gravar incansavelmente para que possamos ganhar reconhecimento suficiente para ser atração principal em vários eventos  que nos permitam viajar para fora do nosso país.

Declaradamente, vocês se diferenciam pelo fato de levantar a bandeira em pró dos menos favorecidos ou oprimidos pelo sistema, assim como o Violator aqui no brasil. Na Colômbia tem algum outro nome que segue as mesmas ideologias que vocês?
Cesar Urrego  (Decertor Infernal) - Somos uma banda controversa. Geramos reações muito fortes e pensamentos críticos, portanto não andamos de mãos dadas com ninguém. Somos nós contra o mundo e essa é a razão pelo qual achamos difícil nos relacionarmos com outras bandas em nosso país e nosso hábito é não trabalhar em equipe, devido ao fato de que não há oportunidade para construir uma cena sólida no metal. Recomendo várias bandas que eu admiro pelos seus excelentes trabalhos e sons brutais, apesar de nossos posicionamentos serem diferentes , garanto que eles cospem suas almas através de suas músicas: Tumulario e Bloody Nightmare de Bogotá, Ebola de Medellin, Attack Fire de Cali e Dark Manthra de Bucaramanga. Todos eles vão ao ápice e nos representam no metal colombiano.


O Orgullo Nativo é relativamente uma banda nova, mas que em um período curto já disponibilizou alguns materiais, sendo dois ep’s, dois álbuns eo relançamento do álbum “Entre el campo de batalla” fica nítido que a banda está insana em seu processo de composições e gravações, podemos aguarda um próximo lançamento em breve?
Cesar Urrego  (Decertor Infernal) - Como mencionado antes, Orgullo Nativo está trabalhando em uma trilogia baseada no conceito de existência direta. Lá estamos traduzindo muitas atividades que condenam o ser humano ao fato de estar vivo e ser parte da vida padrão em um país do terceiro mundo. Mostramos nossa posição em relação à própria existência. Nós insanamente criticamos e cuspimos sobre tudo porque acreditamos que somos usados como rebanhos pelos governantes, companhias, religião e as coisas de destruição em massa. Eles derrubam tudo o que desejamos. Até 2019, estaremos lançando nossa terceira placa chamada “Secuelas”. Isso acabará com a trilogia de nossa existência, nosso objetivo é levar nossa história aos níveis mais altos de difusão, gerando, assim, uma sensação de propriedade de autoestima no ouvinte.

Gostaria de agradecer pela entrevista e disponibilidade. Deixem uma mensagem aos nossos leitores e amigos.
Cesar Urrego  (Decertor Infernal) - Agradecemos a todos os metalheads que estão lendo esta entrevista. Gratidão por ouvirem nossos gritos de ódio, nosso som sepulcral e a insanidade em nossas letras. Que dizer que metal não é tendência, não é cultura de ninguém, é a relevância da sua própria vida, assim como é o portão para conhecer as verdadeiras emoções humanas. Somos apenas carne e ossos e eles apodreceram... No entanto, você deve fazer o que sua mente professa, mas cuidado em fazer parte da merda do dia-a-dia que controla sua respiração.

Agradecemos por esse espaço e também por pensar em nós. Somos Orgullo Nativo, Evil Thrash Metal de Bogotá.

Nós veremos em breve seus malditos!

Por: Cristiano Borges

Formação:
Cesar Urrego  “Decertor Infernal” (Vocal/guitarras)
Jhon Dairo Rodriguez “Root” (Bateria)
Javier Gonzalez “Olkoth” (Baixo/backing vocals)

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